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Ideologia e Demagogia no Debate Público: “Quem manda aqui?”

Posted on 09 abril 2013 by admin

Preocupo-me quando perdemos o real motivo de um debate democrático, detendo-nos em questões periféricas ou secundárias. Enquanto ficamos na plateia desse espetáculo fundamentalista eleitoreiro, perdemos o real sentido da discussão. Aliás, receio que nunca tivemos qualquer preocupação com o motivo da criação da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, criada no Brasil na década de 90 como forma de evitar os abusos da repressão militar nas décadas de 60 e 70.

Até um dia desses, essa Comissão nem existia para a maioria de nós – e não estávamos nos lixando para essa meia dúzia de “indigentes” que sempre sofreu preconceito desde que o Brasil é Brasil. Até aí, vivíamos as nossas vidas fingindo que esse pessoal nem existia.

Hoje a sociedade encontra-se polarizada entre dois narcisistas personalistas (um vindo do BBB e outro de palanques religiosos) com seus exércitos particulares de fundamentalistas, ao mesmo tempo em que está unida na insanidade infantil de uma discussão tola espalhando uma epidemia de mais preconceito e mania de perseguição. Isso demonstra que vivemos numa crise de civilidade que nenhuma lei pode resolver (quanto a isso leia o meu artigo “A sociedade do melindre”). É como se a Comissão só existisse para os homossexuais, mas e as minorias de estrangeiros explorados, de negros discriminados e os povos indígenas despossuídos de sua própria pátria nessa Terra do Brasil?

O que mais me enoja é o uso de causas nobres para a realização de interesses, o que é típico das práticas demagógicas que parece ainda não aprendemos a detectar. É o velho pragmatismo já aconselhado pelo astuto Maquiavel de que os fins justificam os meios. Um usa a “sacralidade da família”, instituição milenar e agregadora da sociedade – o outro usa o direito de “cidadania plena”, também sagrado por elevar o conceito de valorização humana e que foi tão custosa para nós brasileiros, mas o objetivo é o mesmo: a hegemonia de grupos.

No fim das contas, a briga não é pelos que sofrem, ou pelos que não têm uma voz para falar por eles, a preocupação é ainda aquela herdada por um país com fortes raízes oligárquicas, ou seja, “QUEM MANDA AQUI”!

Para quem quiser conhecer melhor as atribuições da CDHM, CLIQUE AQUI

 

Marcos Arrais

Pastor, sociólogo e pós-graduando em história da teologia e do protestantismo brasileiro

 

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