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Olhares da Cidade

Posted on 07 agosto 2011 by admin

Projetar uma igreja que aprenda a lidar com as realidades das cidades e não uma igreja que seja apenas um aparelho de manutenção do status quo é uma urgência.

Nesses últimos tempos Deus tem me despertado para olhar a cidade com outra visão e perceber o papel dos cristãos no que diz respeito ao seu campo de influência. A humanidade está passando por grandes mudanças e uma delasé  o êxodo do campo para as cidades desde que floresceu o industrialismo. Para se ter uma ideia,  uma das mudanças mais dramáticas que ocorreram no século XX foi a urbanização do mundo. Antes de 1990, apenas 14% da população mundial morava em áreas urbanas. Em 1990 esse número havia crescido para 47%. Entre 50% e 70% da população mundial já era urbana quando o século XXI começou. Isso nos mostra a emergência da igreja repensar seus métodos e olhares.

A cidade não é apenas um aglomerado de pessoas, é um jeito de ser, um estilo de vida. Precisamos abrir os nossos olhos para essa questão, senão estaremos fadados a nos confinar num gueto religioso, alienados da realidade ao nosso redor e sentenciados a uma irrelevância no mínimo perturbadora.

Nesse último mês, senti uma inclinação muito forte a trabalhar a consciência da igreja no que diz respeito ao seu papel redentivo no mercado. O livro “Ungidos Para os Negócios” de Ed Silvoso expõe de maneira excelente essa questão. O mercado é para a cidade o que o coração é para o corpo, irrigando e nutrindo todos os outros aspectos. Entenda-se “mercado” como a política, a educação e os negócios. Imediatamente nos propomos a orar e jejuar para que o Senhor transforme a cidade, levando cada cristão a ter consciência do seu papel como missionário no mercado.

Mas duas experiências bem interessantes aguçaram a minha percepção para esse tema:

Um dia fiquei sabendo que estava acontecendo uma feira de produtos orgânicos no parque do Ibirapuera. Senti que deveria ir lá. Fui com o olhar atendo para perceber o que Deus queria me mostrar. No final de tudo, percebi que o mundo está falando de sustentabilidade e produtos orgânicos, desde o sapato que calçamos, ao perfume que usamos até a pimenta que colocamos na comida. Percebi que assim como o mercado está se reconfigurando para as novas demandas globais, a igreja precisa perceber que o velho modelo de programas está fadado a trazer mais prejuízos para o evangelho do que dividendos.
Não há como sustentarmos um tipo de vida cristã artificial, religiosa e até mesmo prejudicial. Muitas vezes estamos mais afastando as pessoas de Cristo do que as trazendo para perto dEle.

Hoje o planeta está pagando caro pela ganancia do homem. Em menos de trezentos anos sujamos, entupimos, poluímos, envenenamos, degradamos o planeta mais do que em toda a história a humanidade. Como igreja, temos uma mensagem pura, orgânica, atual e relevante, mas nossa visão errada de crescimento a qualquer custo, nos fez ultrapassar as fronteiras da ética, da espiritualidade e até da moral! Está na hora de parar esta usina de religiosidade e apresentarmos um evangelho que, como disse Jesus em sua parábola da semente (Marcos 4.26-29), seja “automático” em seus princípios orgânicos, sem uso de artifícios humanos para o crescimento. Quando Ele diz que a semente cresce “por si mesma”, usa a palavra automate no grego, que significa automático, espontâneo.

Outra experiência, duas semanas depois, no mesmo lugar, onde levei meu filho mais novo, João Marcos, para uma tarde no mesmo parque, fez-me ver o caldeirão cultural que existe dentro de uma cidade como São Paulo. Realmente o que vejo chega a ser ofensivo aos meus olhos de pastor “quadradinho” ao mesmo tempo em que me faz repensar o meu papel como líder formador de opinião e cristão na contemporaneidade. Pessoas de todas as “tribos”, como diz em Apocalipse estão ao alcance da igreja nas cidades. Mas precisamos com urgência rever nossos métodos e alcançar cada “nação”, “tribo” e “etnia” que se encontra nas grandes metrópoles com o amor de Deus!

Meu coração borbulha quando olho para tantos jovens, tantas pessoas na cidade buscando identificar-se com algo que nem mesmo elas sabem o que é. Viemos de Deus e nossas vidas só têm sentido quando vividas para Ele. É isso que precisamos dizer às multidões, de punks, emos, basofes, betos, desportistas radicais, dorks, drag queens, from uk, góticos, grunges, headbangers, hippies, mods, nerds, playboys, plocs, preppys, rastas, skinheads, traceur, vegam, white powers, yuppies e tantas outras!

Qual a sua visão da cidade? Gostaria de encerrar esse artigo propondo cinco visões, que ao meu entender, mudam radicalmente a nossa forma de lidar com essa coisa chamada metrópole:

CONTINUAÇÃO…

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