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Movimentos sociais e mudanças sociais

Posted on 21 junho 2013 by admin

Quando a sociedade precisa de explicações, os sociólogos entram em ação: entenda um pouquinho como funcionam os movimentos sociais. Então vamos la:

A vida política não ocorre apenas dentro da estrutura ortodoxa dos partidos políticos, sistemas eleitorais e representação em corpos legislativos e governamentais. Muitas vezes, grupos descobrem que seus objetivos ou ideais não podem ser alcançados dentro dessa estrutura ou são bloqueados ativamente por ela. Às vezes, a mudança política e social somente pode vir recorrendo-se a formas heterodoxas de ação política, como revoluções ou movimentos sociais.

O exemplo mais dramático e abrangente de ação política heterodoxa é a revolução – a derrubada de uma ordem política por um movimento de massa, usando a violência. As revoluções são acontecimentos tensos, animadores e fascinantes. De maneira compreensível, elas atraem muita atenção. Ainda assim, com todo o seu drama, as revoluções nãoi são relativamente frequentes.
O tipo mais comum de atividade política heterodoxa ocorre por meio dos movimentos sócias – tentativas coletivas de promover um interesse comum ou garantir um objetivo comum fora da esfera das instituições estabelecidas.

Os movimentos sociais são um aspecto tão evidente do mundo contemporâneo quanto as organizações burocráticas formais que muitas vezes opõem, e alguns estudiosos sugerem que podemos estar avançando para uma “sociedade dos movimentos sociais.

Os movimentos sociais podem ser vistos como atividades coletivas visando estabelecer uma nova ordem de vida. Eles têm seu princípio numa condição de inquietação, e derivam sua força motriz, por um lado, da insatisfação com a atual forma de vida e, por outro, de desejos e esperanças para um novo esquema de vida. A carreira de um movimento social mostra a emergência de uma nova ordem de vida. No começo, um movimento social é amorfo, mal organizado e sem forma, o comportamento coletivo está num nível primitivo… À medida que se desenvolve um movimento social, ele assume o caráter de uma sociedade. Ele adquire organização e forma, um corpo de costumes e tradições, liderança estabelecida, uma divisão duradoura do trabalho, regras e valores sociais – em suma, uma cultura, uma organização social e um novo esquema de vida (Blumer, 1969, p.8)

A teoria de Blumer sobre os movimentos sociais como inquietação social tem alguns pontos importantes. Por exemplo, ele acreditava que os movimentos podem ser “ativos” ou direcionados para fora, visando transformar a sociedade, ou podem ser “expressivos” ou direcionados para dentro, tentando mudar as pessoas que se envolvem. Exemplos disso são, respectivamente, o movimento dos trabalhadores que visava modificar a sociedade capitalista e o movimento da Nova Era que incentivam a transformar o “eu” interior.

Blumer também argumenta que os movimentos sociais têm um “ciclo de vida”, que envolve quatro estágios consecutivos. Primeiramente, existe um “fermento social”, quando as pessoas estão agitadas por alguma questão, mas relativamente sem foco e desorganizadas. Isso se transforma em um estágio de “animação popular”, durante o qual as fontes de insatisfação das pessoas são definidas e entendidas de forma mais clara. No terceiro estágio, são criadas organizações formais que são capazes de gerar um nível maior de coordenação com o movimento emergente, e se forma uma estrutura mais efetiva para fazer campanhas. Finalmente, vem a “institucionalização”, na qual o movimento, que se organizou fora da política em voga, começa a ser aceito como parte da sociedade e da vida política mais amplas.

[Anthony Giddens]

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